domingo, 24 de fevereiro de 2013

Cinco belíssimos filmes alternativos

Dead Poets Society
Fiquei em dúvida se deveria utilizar a palavra "alternativos" ou "undergrounds" ou até mesmo "cults", pois seus significados se misturam um pouco na minha mente. Em esclarecimento, o que quero mostrar é uma lista de filmes que por serem desconhecidos ou moderadamente desconhecidos vocês ainda não tenham assistido e possam conhecer, e também que saem do modelo hollywoodiano e assim possuem uma visão mais sensível, uma mensagem mais delicada e complexa, que não é óbvia e não se resume ao seu desfecho, mas sim à analise de uma série de comportamentos, palavras, sentimentos, ações em determinados contextos, que por fim formam a mensagem do filme.
Para quem não sabe, chama-se "underground" algo que não é muito conhecido, e sobre as outras duas definições, para melhor entendimento e informação de vocês, encontrei:
Filmes Alternativos são aqueles longas ou curta-metragem que fogem dos estilos hollywoodianos, não entram nos grandes circuitos, não alcançam grandes bilheterias, abordam temáticas diferentes com conteúdo/roteiro original e geralmente são filmados com baixo custo e/ou por produtoras independentes, muitas vezes em países diferentes do EUA. Pelo menos 90% do filmes alternativos são cult. Filmes Cult são aqueles que possuem um grupo de fãs dedicados e que continuam a ter admiradores e consumidores mesmo após não estar mais em evidência, devido à sua produção ter sido interrompida ou cancelada. Um bom exemplo disso são os filmes Star Wars, que são literalmente, até hoje, cultuados! Mas, poucos são os filmes cult que também podem ser considerados alternativos.                                                   Fonte.
Se você conhece algum filme alternativo que está fora da lista e que ache fantástico compartilhe com a gente nos comentários. Mas, então, vamos para a lista:

1. Medianeras (2011)

Sinopse: Martin (Javer Drolas) está sozinho, passa por um momento de depressão e não se conforma com a maneira com a cidade de Buenos Aires cresceu e foi construída. Como trabalha de casa, pouco sai e fica o tempo todo conectado na internet. É através dela que conhece Mariana (Pilar López de Ayala), aficcionada por chats. Eles iniciam um relacionamento virtual, sem saber que moram na mesma quadra.
Adaptado para português como: Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual.
Comecei pelo meu filme favorito desta lista, mas também um dos componentes do meu top 3 de filmes favoritos dentre todos os outros que já assisti. Essa obra possui uma característica que acredito que seja responsável por boa parte de sua beleza: Narração em primeira pessoa. A narração é o pensamento (em cada momento, de um dois personagens principais), o que eles pensam da cidade, da vida, do que fazem; e com isso nos encontramos muito próximos deles, dentro de suas adoráveis mentes. Mas essa característica não seria muito se o texto do filme não fosse magnífico, muito sensível e poético, pra quem gosta do gênero é muito difícil não se encantar e se perder em sua belíssima aura enquanto assiste.

2. La Tête En Friche (2010)

Sinopse: Germain é um homem simplório, de poucos recursos intelectuais, mas de enorme coração. Ele mora num trailer instalado no quintal de sua mãe, uma mulher problemática da qual ele não consegue se distanciar nem física nem emocionalmente. A partir do livro de Marie-Sabine Roger, o belo roteiro se centraliza na relação entre Germain e Margueritte, uma simpática nonagenária apaixonada por livros. Num banco de jardim ambos amenizam a solidão conversando, quem diria, sobre Albert Camus e dicionários. Minhas Tardes com Margueritte fala das diferenças que, mais que atrair, complementam as pessoas. Fala das belas e simples coisas da vida e da morte, do amor e do abandono. Dirigido com sensibilidade e simplicidade por Jean Becker, o filme tem a poesia, o calor e a ternura de uma tarde na praça alimentando os pombos.
Adaptado para português como: Minhas Tardes Com Margueritte.
Eu tenho um carinho enorme por esse filme, acho que ele é uma obra lindíssima, muito singela e sensível, ele me fez chorar no final não somente por um fato em si, mas pela ingenuidade e pureza que ele exala. Isso!, acho que a palavra que define esse filme é pureza. Depois de assisti-lo resolvi que quando eu chegar a terceira idade quero ser exatamente como Margueritte.
3. My Life Without Me (2003)

Sinopse: Tendo apenas 23 anos, Ann (Sarah Polley) é mãe de duas garotinhas, Penny (Jessica Amlee) e Patsy (Kenya Jo Kennedy), e é casada com Don (Scott Speedman), que constrói piscinas. Ela trabalha todas as noites na limpeza de uma universidade, onde nunca terá condições de estudar, e mora com sua família em um trailer, que fica no quintal da casa da sua mãe (Deborah Harry). Ann mantém uma distância obrigatória do pai, pois ele há dez anos está na prisão. Após passar mal, Ann descobre que tem câncer nos ovários. A doença alcançou o estômago e logo estará chegando no fígado, assim ela terá no máximo três meses de vida. Sem contar a ninguém seu problema e dizendo que está com anemia, Ann faz uma lista de tudo que sempre quis realizar, mas nunca teve tempo ou oportunidade. Ela começa uma trajetória em busca de seus sonhos, desejos e fantasias, mas imaginando como será a vida sem ela.
Adaptado para português como: Minha Vida Sem Mim.
Quando cheguei ao fim desse filme eu pensei em certas coisas que antes me incomodavam ou mesmo doíam e notei que elas pareciam muito menos importantes. A vida pode acabar a qualquer momento e seria maravilhoso se pudessemos viver com o mesmo sentimento que se tem quando a morte está chegando, tudo fica mais simples, tudo faz sentido, a coragem de viver chega, o medo vai embora, você sabe exatamente o que fazer pra ser feliz, mas o tempo está acabando. Ou você tem tempo e não tem a epifania ou você tem a epifania e não tem tempo para finalmente viver no modo carpe-diem ou, em última instância, você assiste a um filme como esse e sente uma amostra grátis da epifania, mas ela acaba muito rápido e não é assim tão cabal.

4. C'est Pas Moi, Je Le Jure (2008)

Sinopse: O ano de 1968 marca uma virada na vida do menino Léon Doré, dez anos. Sua falsa tentativa de suicídio, por enforcamento, fracassa por um fio. Pouco depois, sua mãe neurastênica, que se sente sufocada pelo marido, vai morar na Grécia, deixando seus dois filhos com o pai. Enquanto o irmão mais velho cultiva um rancor surdo, Léon pilha e faz uma bagunça danada na casa dos vizinhos que viajaram de férias, finge ter um problema na vista para justificar as péssimas notas no colégio, arma tramoias, manipula, faz seu pai e todos de bobos. Menos Léa, a jovem vizinha que percebe tudo e que, tendo ela própria contas a acertar com a vida, irá ajudar Léon a roubar o dinheiro para comprar uma passagem de avião para a Grécia.
Adaptado para português como: Não Sou Eu, Eu Juro!
Esse filme é divino: profundo, sensível, com umas cenas muito bonitas. O que mais chama atenção nele é que apesar de Léon (personagem principal) ser uma criança ele tem pensamentos e certas atitudes que não esperamos de um menino de dez anos. Ele faz reflexões melancólicas e tão maduras que além de triste chega também a ser engraçado e talvez até bonito no tocante ao modo como uma pessoa tão pequena e nova pode ser tão complexa e corajosa. Esse filme é belo em sua tristeza e ao mesmo tempo pureza de criança (embora León apronte bastante), eu o acho imensamente bonito e quem gosta do gênero vai se apaixonar.

5. Dogville (2003)

Sinopse: Anos 30, Dogville, um lugarejo nas Montanhas Rochosas. Grace (Nicole Kidman), uma bela desconhecida, aparece no lugar ao tentar fugir de gângsters. Com o apoio de Tom Edison (Paul Bettany), o auto-designado porta-voz da pequena comunidade, Grace é escondida pela pequena cidade e, em troca, trabalhará para eles. Fica acertado que após duas semanas ocorrerá uma votação para decidir se ela fica. Após este "período de testes" Grace é aprovada por unanimidade, mas quando a procura por ela se intensifica os moradores exigem algo mais em troca do risco de escondê-la. É quando ela descobre de modo duro que nesta cidade a bondade é algo bem relativo, pois Dogville começa a mostrar seus dentes. No entanto Grace carrega um segredo, que pode ser muito perigoso para a cidade.

Uma das obras cinematográficas mais originais já vistas, se não a mais original de todas; muito bem pensada e feita, o que não é lá muita surpresa vindo de um filme do diretor Lars Von Trier. "Dogville é um filme essencial para estudantes de psicologia ou sociologia, porque além de promover uma análise acerca das atitudes sociais humanas, Lars Von Trier ainda testa os nossos próprios sentimentos em uma conclusão absurdamente chocante.", lê-se.

Duvidas sobre o download do filme ou sobre as legendas é só perguntar nos comentários ou em qualquer rede social em que você me encontre. Btw, o legendasbrasil.com.br é um ótimo site pra se baixar legendas, caso algum arquivo não possua a mesma.
Eu ficaria muito satisfeita se vocês assistissem aos filmes, pois lembro-me da sensação de tempo-bem-usado e alguma-coisa-mudou depois que os assisti e acho que vocês gostarão também. Bom, espero que vocês apreciem, mas que, principalmente, a história acrescente algo bonito a vocês.

7 comentários :

  1. Já assisti o primeiro há tempos. Excelente. Aliás é assim que eu acho que os cursos de letras deveriam ser no Brasil. Ensinar a ser escritor.

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  2. TE AMANDO POR TER COLOCADO O LINK DE DOWNLOAD POLITICAMENTE INCORRETO <3

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  3. Já assisti Medianeras e Dogville - óbvio, já que fui eu que te indiquei - e ambos estão entre os meus filmes favoritos. Mas, para além dos filmes, agrada-me a proposta do texto de mostrar filmes que fogem do óbvio, que não lotaram cinemas (alguns nem chegaram aos cinemas daqui), que dificilmente será encontrados em locadoras (ainda existem locadoras?), que não vão passar na Tela-Quente. É claro que existem filmes bons que são populares, é claro que muitos dos filmes que concorrem ao Oscar e prêmios afins são muito bons, alguns até imperdíveis, mas é preciso dar atenção a esse tipo de filme. Que vai te dar certa sensação de solidão, porque (quase) ninguém que você conhece os assistiu e nem vão se interessar por assistir, filmes que não vão te distrair, e sim te concentrar; que não vão te relaxar, e sim te levar a refletir e até mesmo te deixar melancólico, dentro da própria reflexão. Mas, assim como os músculos precisam inflamar pra se desenvolver, a alma não se desenvolve de maneira sempre fácil e agradável. E esses filmes desencadeiam um processo "inflamatório" dos mais necessários.

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  4. Galera do Blog tem bom gosto para cinema. ^^
    Dogville é um clássico de Lars Von Trier.
    Medianeras É um filme bem divertido. rs
    Abraço/beijos para vocês.

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  5. Tô baixando o filme C'est Pas Moi, Je Le Jure (2008), parece bom, muito obrigado.

    http://apoesiaestamorrendo.blogspot.com.br/

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  6. http://filmeonlinetocadoscinefilos.blogspot.com.br/ aí pessoal, pra quem curte filmes alternativos,raros e antigos, esse blog é ótimo! E o melhor de tudo é que todos os filmes são online.

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    1. que ótimo! obrigada pela indicação, ana.

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