![]() |
| Criações a partir do ato político do primeiro CONEUFRB |
Aconteceu perto da minha casa, picharam com palavras de altíssimo calão o muro da universidade, colocaram o cu no meio e a patrulha da moralidade interveio - oh, cu, que crime hediondo - com seus argumentos pequeno-burgueses e seu senso político muitíssimo abrangente. Pensar para quem que apagaram e porquê apagaram tudo, pintaram tudo de cinza - a palavra no muro ficou coberta de tinta - apagaram tudo, pintaram tudo de cinza só sobrou no muro tristeza e tinta fresca. O que há por trás dos apagamentos, dos gritos contra o vandalismo e o encarceramento das atividades alheias - o que nem sempre fica apenas no patamar ideológico - o que há realmente?
Há uma sociedade tentando à duras penas manter a sua galinha dos ovos de ouro, suprimir as vozes indignadas dos assim nomeados: vândalos e revoltosos que atentam para toda a merda que há espalhada, nem sempre embaixo dos tapetes, que sentem o cheiro e o gosto dessa merda diariamente e querem revidar.
As minorias todas estão cansadas de serem higienizadas pelos discursos de vocês, é por isso que todas elas quando vão para rua fazem "merda", mostram suas bocetas facetas incômodas, é por isso que elas gritam, sujam, riscam, mudam, por isso que elas atacam, porque estão cansadas de ser violentadas, estão cansadas de ceder espaço. E se eu apoio? MUITÍSSIMO.
Que não haja mais um banco de pé enquanto houver a mais radical segregação social.
Que não haja mais espaços em branco nos muros, que não hajam muros BRANCOS que os muros e os bancos sejam devassados pela nossa diversidade, que todos sejam amplamente atacados, porque eles existem para violentar espaços e pessoas.





