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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Cinco epitáfios memoráveis

Uma das coisas pelas quais mais me interesso são epitáfios, acho que eles são realmente uma oportunidade muito boa para terminar de um modo memorável, é como a última frase de um livro. Tenho alguns favoritos e, pela seleção que fiz, me parece que prefiro aqueles que se resumem em uma frase que de algum modo estava sempre relacionada à pessoa enquanto ela vivia e que fez um certo sentido no contexto de sua morte.

1. MEL BLANC

"Isso é tudo, pessoal"
MEL BLANC
O homem de 1000 vozes
Amado esposo e pai
Mel Blanc foi um dublador e comediante americano conhecido por trabalhar dublando muitos personagens famosos da Warner Bros, entre eles o Gaguinho (Porky Pig) que fala no final dos episódios a famosa frase "Isso é tudo, pessoal" (ao menos tenta, antes de Pernalonga aparecer e dizer no lugar dele). Mel Blanc falou do desejo de ter essa frase como epitáfio e assim foi.

2. CAZUZA



O Tempo Não Para é o nome de uma das músicas mais famosas do cantor Cazuza. Como já falei um pouco no começo, gosto quando uma frase que por algum motivo é ligada a pessoa que faleceu cabe no seu epitáfio, é como se o tempo todo ela tivesse lá, esperando para estar no final, pregando sua mensagem, sorrateiramente, aparentemente inofensiva na teoria, pra no fim se concretizar chocando todo mundo, provando na prática sua veracidade. É... O tempo não para.

sábado, 6 de julho de 2013

Eu (também) te dedico

Oi, gente! Como vocês devem ter percebido, a frequência por aqui anda complicada, então o primeiro recadinho que eu quero dar é que, caso você se interesse por fazer parte da equipe do LDD ou conhece aquela pessoa super legal-massa-descolada-supimpa, dê uma olhadinha nesse post aqui que explica sobre isso.

Hoje eu quis compartilhar com vocês um dos meus amores secretos: dedicatórias de livros. Acho algo extremamente pessoal e misterioso, uma marquinha de eternidade no tempo. Vou mostrar algumas das minhas preferidas que já vi por aí. E como dica, deixo o tumblr do Eu Te Dedico. As imagens lá são bem rapidinhas de ler, todas com a decifração do que está escrito (certo por linhas tortas) e em português. Perdoem essa boa padawan que vos escreve, mas não tive paciência de fazer o mesmo com todas as imagens que colhi para postar aqui. Mas acho que a maioria das que não fiz isso estão bem legíveis e entendíveis de todo o jeito.

Um beijo,

L.




"Syl,

Nos corredores largos do metrô Ana Rosa, por três vezes topei com um sujeito barbudo e ensacadinho que carregava uma sacola plástica de supermercado, cheia de papéis, e equilibrava um caderno velho por baixo do braço.

Tempos depois, quando o vi na primeira montagem desta história no teatro e a figura de Marçal Aquino me surgiu na primeira pesquisa que fiz sobre o seu nome, descobri que, além de meu vizinho, o homem misterioso do metrô era um escritor que só precisava dos títulos dos seus livros para fazer tremer o chão debaixo dos pés de quem lê.

Como você (e como eu, coisa que ainda não te contei), Marçal escreve seus trechos à mão em cadernos antes de entregá-los, digitados, para os editores. Fico me perguntando se em alguma daquelas vezes em que topei com ele não era o rascunho deste livro que ele carregava debaixo do braço.

Fico me perguntando também que tipo de variações de títulos eu teria para te dar de presente se aquele caderno tivesse se perdido nos corredores ou nos trilhos daquele metrô.

Fico me perguntando, ainda, o que quero que você encontre nas histórias de Rímini, Sofía, Lavínia e Cauby. Talvez o meio metro de chão que eles tiraram de mim quando cruzaram meu caminho. Talvez o volume de ar que eles me tiraram.

Ou talvez queira que você os perca também. E que a gente os encontre juntos, em algum lugar fora dessas páginas.
Cheiro de goiaba (pro
Gabo não ficar com ciúmes
de novo),

Tiago."

quinta-feira, 21 de março de 2013

O que a existência das redações problemáticas revela sobre a sociedade brasileira

Com a popularização da internet - principalmente de sua possibilidade de uso, uma vez que há uma década somente a elite do país possuía o pleno domínio e capacidade financeira para arcar com essa forma de comunicação -, o fluxo de informações adquire uma fluidez quase utópica sob a concepção da massa populacional dessa mesma década passada. Se a construção de Brasília sob o modelo de Versalhes objetivava o fim de interferências populares na política (as revoltas e atentados contra políticos quando situados no Palácio do Cadete se dissiparam com a transferência da capital brasileira para longe dos maiores contingentes populacionais), a internet vai de encontro a isso: permite a livre obtenção de informação e a interação da sociedade entre si, superando as distâncias geográficas.
É nesse contexto que se discute a validade do Exame Nacional do Ensino Médio. Um dos assuntos mais comentados da semana foram os textos divulgados pelo jornal O Globo, nos quais erros gramaticais absurdos e argumentações baseadas em hinos e miojos receberam notas absurdamente altas quando comparadas às recebidas por alunos que passaram um ano de suas vidas estudando e se empenhando para alcançar o chamado "bom texto". É claro que a comoção popular foi imensa. É claro que todos se indignaram. E também é claro que todos nós ficamos impossibilitados de agir, ao mesmo tempo em que nos enchemos de orgulho patriota para criticarmos Cuba e exaltarmos nossa democracia.
Milhares de estudantes não ingressaram na Universidade por conta dessa mesma redação. Eu mesma me incluo entre eles. Pretendo fazer Medicina e passarei mais um ano estudando por ter recebido uma nota um pouco maior do que o participante que compartilhou com o Brasil suas habilidades gastronômicas - e tantos outros que não foram divulgados.
Pior ainda é que o Ministério da Educação defende a correção das provas, dizendo que os erros ortográficos são aceitáveis (no caso, dignos de alcançarem nota de excelência) e os conteúdos argumentativos das outras redações citadas foram "fortemente penalizados". Tudo isso virou motivo de riso para a população. E sabemos que eleger um palhaço para um cargo público não é um protesto, é uma rendição. Nos acostumamos tanto a abaixar a cabeça que mesmo quem se indigna com a situação e queria transformar isso em algo prático se encontra impossibilitado e sufocado pela própria incapacidade de ação. Passamos a viver em uma claustrofobia constante gerada pela política.
E assim é nossa democracia, nossa tão exaltada democracia. Votamos, mas não escolhemos. O número de miojos e hinos é cada vez maior - não como os autores dos textos, que possuem capacidade crítica e intelectual suficiente para por em cheque a validade das correções das provas. Os miojos de verdade estão lá, no ensino superior, assim como pessoas que publicarão testes que serão reprovadas já mesmo na fase gramatical. É claro que estão também pessoas de qualidade, porém é impossível desconsiderar a duvidosa e falha futura massa intelectual do país. Mesmo as grandes universidades que se opunham a esse processo seletivo tiveram de se submeter a ele - caso contrário perderiam 45% em investimentos. Um viva à democracia.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

That's Lah-di-dah, folks!


Tudo começou com um desejo que se alimentou beneficamente de dois outros desejos também iguais e então a coisa toda teve início, nasceu e estamos agora apresentando ao mundo. Como alguns viram, no dia sete de setembro eu mandei uma mensagem coletiva no formspring falando sobre o meu desejo de fazer um blog e da necessidade de que este fosse feito em conjunto para que desse certo. Então, surgiu a Lita e posteriormente a Nat que vieram acrescentar coisas bem legais e também animação ao projeto.
Nosso intuito é compartilhar o pouquinho que sabemos, coisas que encontramos, dicas, novidades, opiniões. E precisamos muito da sua ajuda para não só emanar, mas também adquirir conhecimento. Esperamos que participem e que gostem do que estamos preparando para vocês.
T. F.

Bom, o blog fala basicamente de um pouco de tudo pelo que somos apaixonadas. Nós preferimos dividir em  tópicos de assunto as postagens e colocá-los sob responsabilidade de uma editora principal pra não acontecer de um item ficar parecendo cenário de The Walking Dead, mas concordamos que todas nós vamos falar sobre todos os "Marcadores". Nós três concordamos sobretudo na importância do que estamos fazendo. Aqui vamos levantar discussões, mostrar diferentes pontos-de-vista que esperamos que levem o leitor à construção dos seus próprios, falar um pouquinho sobre vários aspectos que formam a noção de Cultura através da Arte, e também apresentar pra vocês filmes, séries, livros que consideramos interessantes e divertidos. Sem esquecer, claro, que também falaremos sobre moda, tentando mostrar ideias para que vocês, caso gostem e se identifiquem, incorporem no dia-a-dia de vocês. Em resumo, a nossa intenção é mostrar através das nossas paixões o caminho de guia para que cada um dos leitores do blog construa sua própria individualidade e expanda sua bagagem artístico cultural. E, claro, se divirtam! E  para quem acha que isso aqui é algo fútil, segue um texto que achei enquanto estava estudando:

Muitas vezes nos mandam cortar nossos adjetivos. O bom estilo, conforme dizem, sobrevive perfeitamente sem eles; bastariam o resistente arco dos substantivos e a flecha dinâmica e onipresente dos verbos. Contudo, um mundo sem adjetivos é triste como um hospital no domingo.  Substantivos e verbos bastam apenas a soldados e líderes de países totalitários. Pois o adjetivo é o imprescindível avalista da individualidade de pessoas e coisas. (...) Vida longa ao adjetivo! Pequeno ou grande, esquecido ou corrente. Precisamos de você, esbelto e maleável adjetivo que repousa delicadamente sobre coisas e pessoas e cuida para que elas não percam o gosto revigorante da individualidade. Cidades e ruas sombrias se banham de um sol pálido e cruel. Nuvens cor de asa de pombo, nuvens negras, nuvens enormes e cheias de fúria, o que seria de vocês sem a retaguarda dos voláteis adjetivos?
Adam Zagajewski
T. P.

E afinal, o que é esse tal de “Lah-di-dah”? É uma expressão da língua inglesa e quer dizer algo extremamente elegante. É usada também para ridicularizar ou esnobar um comportamento ou um discurso. No filme Annie Hall, já é utilizada como algo desprendido e usada em hora de nervosismo. De qualquer forma, o que a gente quer dizer com lah-di-dah tem bastante a ver com os três casos. Primeiro, a elegância que buscamos demonstrar nesse blog. Conforme os artistas, os textos, as músicas... Depois, iremos também criticar discursos moralistas e valores que consideramos antiquados e deturpados. E em último, queremos que as pessoas também se desprendam de tantos conceitos jogados por tudo que é lado e sejam também um pouco lah-di-dah.
N. F.

  
Equipe Lah-di-dah.